sábado, 16 de junho de 2018

O casamento entre o amor e o sexo | Mary Del Priori

Nas últimas décadas, valores antes subestimados passaram a ser apreciados. Haveria hoje, a partir de tais mudanças, um modo “masculino” de lidar com as relações, mais formal, mais responsável, e um modo “feminino”, que dá mais importância ao cuidado com o outro? A historiadora Mary Del Priori discute se há diferenças de pensamentos entre os sexos, afinal essa questão vai além do feminismo e seu debate é urgente nestes tempos de crises.

Café Filosófico: Madame Bovary e as Tiranias da Intimidade


A historiadora Margareth Rago fala das mudanças do papel das mulheres na sociedade contemporânea. Na obra Madame Bovary de Gustave Flaubert mostra a vida de Emma Bovary , uma mulher que queria uma vida que fizesse sentido. Não estava sozinha: na segunda metade do século XIX, os homens também se entediavam com a vida regrada da sociedade burguesa, mas podiam sair, viajar e estudar. Por isso a questão de gênero é fundamental na obra. A desigualdade de relações, explica a professora, era referenda pelo saber médico da época. A figura da “rainha do lar”, que a burguesia defendia dentro do modelo de família nuclear, foi criada nessa época. As mudanças dessas ideias só viriam, anos depois, com o fortalecimento do movimento feminista. A história de Madame Bovary é construída neste contexto. Nos dias atuais, o mundo se transforma em alta velocidade, e a consequência é a perda da ideia de tempo e o tempo para reflexão. As mulheres, afirmou a palestrante, se emanciparam, mas a violência masculina ainda é comum. mesmo assim, disse, é preciso reconhecer que os homens mudaram.Segundo ela, a sociedade hoje já não confina as mulheres ao lar, mas a papéis e identidades.Assustados com as mudanças, os indivíduos buscam proteção em uma ideia de normatividade, o que explica a ascensão de grupos de jovens conservadores no debate público. Programa exibido em 01/05/2016

Café Filosófico - Michel Foucault : a filosofia como modo de vida



06/04 | sex | 19h Michel Foucault: a filosofia como modo de vida com Margareth Rago, historiadora

A filosofia para Michel Foucault tem um sentido prático, pois ela busca oferecer um “diagnóstico da nossa atualidade” fundamentado na compreensão de como as diferentes formas de poder nos afetam. Nessa filosofia, pensada como modo de vida, ganham destaque as formas que visam a constituição de subjetividades éticas e as práticas da liberdade que se opõem a uma visão fascista da vida.

segunda-feira, 11 de junho de 2018


Sobre Simone de Beauvoir: iniciando a travessia


Durante muito tempo as diferenças de gênero eram entendidas como biologicamente determinadas, em que o saber médico passa a definir as mulheres como seres biológicos se moralmente diferentes e inferiores em relação aos homens, e incapazes de participarem ativamente da esfera pública (RAGO, 2015, p. 265). 
Muito difundidos em nosso meio, os discursos de senso comum, por exemplo, homem não chora, as mulheres são frágeis e sensíveis, etc, funcionam como resposta para possíveis indagações acerca da veracidade de padrões pré-estabelecidos, em que a condição feminina era vista como uma barreira para o trabalho intelectual. Engessando os comportamentos, limitando a liberdade com base em uma legitimidade que não se adequa ao racional, como a resposta no natural. Neste sentido, Simone de Beauvoir defendeu que:

Ninguém nasce mulher, torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam se de feminino. (Beauvoir 1967: 9)

Assim, para Simone de Beauvoir, o tornar-se mulher é ali proposto nas experiências vividas por homens e mulheres nas dimensões do indivíduo e da vida social que o efetivam, que o alçam à condição de real, isto é, seja nas instituições formadoras, seja nas diversas possibilidades de vivência presente, mulheres e homens forjam-se em sua identidade individual na relação que a sua liberdade estabelece com a liberdade daqueles com quem convivem. 
Pode-se dizer que toda a investigação de Beauvoir sobre a mulher descreverá o drama dos movimentos de interrogação, reflexão e superação desta situação de estar posta como um indivíduo, se não derivado ou até mesmo relativizado em face de outro indivíduo que se tornou historicamente soberano absoluto de seu gênero. 
Nesse passo, Beauvoir atribui grande importância ao trabalho como meio de conquista da autonomia para as mulheres em especial, e, portanto, a condição de sujeito da própria história seria determinada pelo acesso das mulheres à educação e ao trabalho. (DALMÁS, MÉNDEZ, 2015). Assim, constata-se que a categoria de gênero engloba fatores históricos, sociais e culturais, bem como de poder, todos envolvidos na construção dos perfis, papéis e identidades ‘masculina’ e ‘feminina’. Longe de serem neutras, as relações de gênero, que se manifestam de maneira velada ou explícita, possuem relações de poder inerentes a elas. Eis, portanto, breve relato sobre a contribuição de Beauvoir sobre mulheres.

REFERÊNCIAS


BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. 2. A experiência vivida. Trad. de Sérgio Milliet. 1.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.
DALMÁS, Giovana; MÉNDEZ, Natália Pietra. Beauvoir, Simone. Dicionário Crítico de gênero/ Organizadores: Ana Maria Colling, Losandro Antonio Tedeschi. Dourados, MS: Ed. UFGD, 2015, pp.63-69.
RAGO, Margareth. Foucault e as mulheres. In: Dicionário Crítico de gênero/ Organizadores: Ana Maria Colling, Losandro Antonio Tedeschi. Dourados, MS: Ed. UFGD, 2015, pp.264-268.

Sou mulher, professora, advogada, socióloga, cientista político e feminista e senti a necessidade de criar um blog sobre Feminismo em Debate. O presente blog visa atrair todas as idades, pretendendo funcionar como um instrumento de aprendizado e construção da inteligência coletiva, sendo muito importante mostrar aos jovens e crianças a importância do respeito à diversidade e inclusão.








O espaço público hoje em dia ainda é visto como um local em que o masculino predomina e, ao longo da história, as mulheres foram caladas, invisibilizadas. Nossa proposta é trazer a discussão sobre a inclusão das mulheres na esfera pública e em diversas searas, especialmente, na educação e na política.